Quatro laboratórios avançam na disputa por ativos da Takeda
16/10/2019
Quatro grupos farmacêuticos avançam na disputa pela divisão de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) da japonesa Takeda na América Latina. As brasileiras EMS e União Química, a italiana Menarini e a uruguaia Mega Labs estão na fase final de propostas pela fabricante do Neosaldina, enquanto outras concorrentes que chegaram a olhar os ativos no início do ano, como Eurofarma e Aché, já deixaram o processo, apurou o Valor.
 
As ofertas das quatro interessadas avaliam o negócio em torno de US$ 700 milhões, segundo fontes, menos do que a estimativa inicial da Takeda de obter US$ 1 bilhão pelos ativos. O desconto aconteceu porque a japonesa perderá pelo menos duas licenças de medicamentos na América Latina - o Noripurum, indicado para o tratamento de anemias e deficiência de ferro, que é da suiça Vifor, e o Alektos, um remédio para alergia, da espanhola Faes Farma.
 
Dentre os interessados, a italiana Menarini está disposta a pagar um preço um pouco maior do que a então considerada favorita na disputa, a brasileira EMS, conforme outra fonte. Além da Takeda, a Menarini está avaliando ao menos três aquisições no setor no país. “Os italianos estão interessados em crescer no país e estão olhando bastante coisa, com ao menos três propostas já colocadas”, afirma um banqueiro de investimento.
 
O grupo Menarini é a maior farmacêutica italiana e atua em 136 países, incluindo América Central e México. Recentemente entrou na Colômbia e no Peru, primeiros passos para expansão na América do Sul. “O grupo entende que a entrada direta no Brasil, para ter alguma relevância, necessariamente é por aquisições”, disse a fonte.
 
A Menarini já fez alianças com a farmacêutica Biolab para a venda no mercado brasileiro de medicamentos produzidos pela italiana - para um primeiro, em um acordo em 2008, e para outros sete, em parceria fechada em 2012.
 
A negociação dos ativos da Takeda na América Latina deve ser acelerada por causa do acordo firmado, ontem, com a suiça Acino para a venda do segmento de OTC na região do Oriente Médio e África por US$ 200 milhões, apurou o Valor. O contrato deverá ser fechado até março do próximo ano.
 
A Takeda busca vender a divisão de OTC no mundo para diminuir o seu endividamento depois da aquisição da Shire em 2018. A empresa desembolsou US$ 62 bilhões. A meta da farmacêutica é arrecadar US$ 10 bilhões com a venda dos ativos no mundo.
 
Em nota, a Takeda disse que a venda anunciada ontem faz parte dos “esforços contínuos para concentrar suas operações nas cinco principais áreas de negócios que identificou como essenciais para seu crescimento a longo prazo: Gastroenterologia, Doenças Raras, Terapias Derivadas do Plasma, Oncologia e Neurociência”.

A empresa informou que as operações de Oriente Médio e África são independentes do Brasil e o contrato se refere à venda desses produtos apenas para essa região. “Também vale ressaltar que a Takeda se mantém comprometida com o Brasil e que continuará focada em acelerar a entrega de seu portfólio inovador de medicamentos para pacientes em todo o país.”

Procuradas, EMS e União Química afirmaram que não comentam o que classificaram de rumores de mercado. Menarini e Mega Labs não retornaram os contatos.
 
 
 
 
Fonte: Valor




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