Teste inédito de covid-19 no Brasil pode ajudar a achar melhor tratamento
30/06/2020

Na medicina, muito se fala sobre os remédios receitados para determinados pacientes de acordo com o seu próprio DNA. A ideia é que, seguindo o sequenciamento genético das pessoas, pode-se encontrar a medicação e a dosagem correta para cada um — evitando os infames efeitos colaterais que um indíviduo pode ter durante um tratamento enquanto outro paciente, com o mesmo remédio, não sente absolutamente nada.

Nos Estados Unidos, a chamada medicina de precisão já é usada, embora de forma limitada, em casos de crianças com leucemia e HIV, pelo fato de muitos serem alérgicos a determinados remédios. Agora, aqui no Brasil, o laboratório GnTech vai usar a tecnologia farmacogenética também para entender qual medicamento será melhor indicado para cada caso de covid-19.

Estudos apontam que cada pessoa, apesar de ser integrante ou não de um grupo de risco, sofrem efeitos diferentes da doença a longo prazo. De anticorpos a diabetes, a opção de medicar as pessoas de acordo com seu próprio DNA pode ser algo bastante positivo na hora de testar as drogas que têm mostrado resultados positivos na luta contra a covid-19 — como é o caso da hidroxicloroquina, de outros antivirais, antibióticos, anticoagulantes e antiparasitas que podem ajudar no tratamento. Outros remédios, como o remdesivir e a dexametasona ainda não estão incluídos no teste. “Nosso critério é apenas incluir genes que tenham uma assertividade científica mais alta”, explica o doutor Guido May, médico do corpo clínico do Albert Einstein e sócio fundador da GnTech.

A tecnologia da GnTech será capaz de analisar 60 genes e 172 fármacos voltados para tratamentos de doenças infecciosas como o novo coronavírus, cardiológicas, que também podem impactar nos casos do SARS-CoV-2, oncológicas e psiquiátricas, como transtornos de ansiedade, transtorno bipolar e depressão. “Os medicamentos impactam os genes de três maneiras: na metabolização, de que maneira ele será metabolizado pelo corpo e portanto em que dose ele vai correr pelo sangue do paciente, impactam na resposta, de que maneira o medicamento vai atingir o sistema nervoso dos humanos e o teste mostra se o medicamento será bom e também na toxicidade, o que mostra se o remédio vai ter mais ou menos efeitos colaterais. Usamos nossos algoritmos para cruzar todos esses dados”, diz.

O novo teste já estava sendo estudado há algum tempo, inclusive com remédios como a própria hidroxicloroquina e a azitromicina em sua base, mas o foco mudou uma vez que a pandemia do coronavírus alastrou o mundo. A testagem farmacogenética, que visa ajudar os médicos a encontrar a melhor forma de tratamento para os pacientes, também é um movimento interessante para os negócios da empresa.

 

O TOTALGENE, como é chamado o teste que analisa as quatro frentes médicas, custa 3.893 reais à vista e pode ser parcelado em até 12x. Já o preço dos testes por especialidade é de 3.380 reais à vista e pode ser parcelado em 12x de 331 reais. Laboratórios parceiros da GnTech, como é o caso do Albert Einstein, terão os testes disponibilizados. Os pacientes poderão adquirir os testes por si só e levá-los a um médico especializado para que ele faça a interpretação correta e indique o melhor medicamento baseado no DNA.

Para May, os novos testes serão capazes de trazer mais eficiência no tratamento dos infectados. “O mais importante de tudo é que o teste é uma ferramenta para tornar os tratamentos mais rápidos e mais seguros e além disso economizar custos. Se a gente tem tratamentos mais eficientes, a gente também economiza custos com tratamentos ineficientes”, garante.

Nenhum medicamento ou vacina para a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais.

De acordo com o relatório A Corrida pela Vida, produzido pela EXAME Research, unidade de análises de investimentos e pesquisas da EXAME, as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina já contam com o financiamento de pelo menos 20 bilhões de dólares no mundo. Desse valor, 10 bilhões foram liberados por um programa do Congresso dos Estados Unidos. Mais de 136 vacinas estão sendo desenvolvidas atualmente.

Segundo o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 509.474 morreram, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,5 milhões de doentes e mais de 129 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.368.195 de infectados e 58.314 óbitos.

Fonte: Exame




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